Como é a experiência de voluntariado pelo Worldpackers

Iniciativas como a do Worldpackers ajudam a baratear os custos da viagem

Área de café da manhã no HI Hostel Caminho da Chapada, onde trabalhei | Foto Juliana Santos

 

Por Juliana Santos

 

Como funciona o Worldpackers?

Logo após voltar de uma viagem à Chapada dos Veadeiros, estava disposta a vivenciar aventuras, sair da zona de conforto, conhecer pessoas e ter novas experiências. Logo conheci o site Worldpackers.

 

O site brasileiro funciona basicamente como uma rede social onde os interessados se cadastram e podem escolher vagas em hostels mundo afora para fazer trabalho voluntário. A premissa básica do Worldpackers é que você tenha a possibilidade de se hospedar de graça em troca de algumas horas de trabalho por dia e dessa forma consiga baratear os custos da sua viagem.

 

 

O processo é simples, fácil e gratuito até dado momento. Basta se cadastrar com todas as suas preferências, atributos, áreas que tem mais interesses e incluir os dados de seu cartão de crédito. Depois do cadastro feito, você poderá navegar pelo site e ver as vagas nos milhares de hostels disponíveis pelo mundo todo.

 

É só escolher o destino, o hostel, enviar uma mensagem para o host e aguardar. Depois de ser aceito, e ter a viagem confirmada é que será cobrada a taxa de serviço em seu cartão de crédito – que vai de zero até US$ 100, mas o preço médio dá para dizer que é algo como US$ 40-50.

 

No Wordpackers, depois que você manda uma mensagem, o host tem 24h para responder, caso contrário, sua solicitação é cancelada, e você poderá se candidatar a outras vagas. Assim que o host responde, e tudo é definido, a tarifa é cobrada em seu cartão de credito.

 

Cada experiência é diferente da outra, mas é importante lembrar que neste tipo de trabalho não há remuneração e o voluntário trabalha cerca de 4h por dia por 5 dias na semana (podendo variar de acordo com o hostel), garantindo a estadia gratuita. Alguns hostels incluem alimentação, mas todas as outras despesas – passagem aérea, transfers, passeios e algumas refeições não inclusas – são custeadas pelo voluntário.

 

Como foi minha experiência no Worldpackers

Área de descanso do hostel | Foto Juliana Santos

Convidativa área de descanso do hostel | Foto Juliana Santos

 

Sempre fui muito apaixonada por natureza e depois do sentimento na volta da Chapada dos Veadeiros, com toda a empolgação queria vivenciar algo parecido envolvendo natureza e decidi me aventurar novamente por alguma Chapada.

 

A partir daí comecei a buscar, olhei e favoritei muitos hostels, mas enviar mensagem mesmo foi só para o HI Hostel Caminhos da Chapada, localizado na cidade de Palmeiras, cerca de 58km de Lençóis, na Chapada Diamantina, Bahia. Como na época eu só teria 15 dias de férias, já mandei a mensagem para o host me apresentando, explicando que estava muito interessada em ajudar eles, conhecer a região e falei que teria cerca de duas semanas para ficar por lá.

 

No dia da viagem, após muito cansaço e três voos até chegar a Lençóis, o pessoal do hostel já estava me esperando no aeroporto, para mais uma curta viagem de carro até a cidade de Palmeiras. Chegando ao hostel todos foram muito receptivos, aos poucos fui me adaptando, conhecendo as pessoas, interagindo e aprendendo.

 

 

Preços em conta no restaurante do hostel | Foto Juliana Santos

Preços em conta no restaurante do hostel | Foto Juliana Santos

 

A cidade de Palmeiras tem cerca de 9.000 habitantes e fica próxima a diversas atrações da Chapada Diamantina, como o Morro do Pai Inácio e a Gruta da Pratinha. Como típica cidade pequena que mantém sua essência e seus valores, todos em Palmeiras se conhecem e se cumprimentam.

 

É um desses lugares onde a vida passa sem pressa. Pode com certeza ser uma opção para quem deseja visitar a região e ficar hospedado em um local mais tranquilo do que a movimentada cidade de Lençóis e a badalada Vila do Capão.

 

Ao longo dessas duas semanas, tive a oportunidade de ajudar em diversas áreas do HI Hostel Caminhos da Chapada: na recepção, na organização e contagem dos produtos e utensílios do hostel, na cozinha e também no restaurante. Foi uma das melhores experiências que tive a oportunidade de vivenciar até hoje. E, claro, no período em que estive por lá, também conheci lugares maravilhosos.

 

Fui a cachoeiras, fiz trilhas, subi morros, comi moqueca de jaca, me aventurei em uma gruta, passei mal depois de comer acarajé, vi cobras (sim no plural!). Senti a natureza de perto. Voltei pra casa com os pés cheios de bolhas, mas com a alma lavada. Tinha vivenciado a experiência que eu esperava e precisava vivenciar. Foi tempo suficiente para conhecer esta região da Chapada Diamantina, e caso quisesse seria possível ficar mais tempo no hostel.

 

Águas cristalinas da Chapada Diamantina | Foto Juliana Santos

Águas cristalinas na Gruta da Pratinha | Foto Juliana Santos

 

Normalmente, quando o hostel é bem grande e com muitos voluntários existe um cronograma com as atividades a ser feita por dia, com o horário de trabalho e de tempo livre para cada voluntário.

 

No hostel em que eu fiquei não havia uma regra, mas eu sempre estava disposta a auxiliar, perguntando quando eles precisavam de ajuda e no que eu poderia ser útil. No meu caso, não tinha um horário exato de horas para trabalhar por dia. Quando tinha passeios, saía o dia inteiro, e, quando ficava no hostel, ajudava normalmente no horário do café da manhã, almoço e jantar.

 

Sempre que os hóspedes queriam fazer algum passeio, verificava para onde estavam indo e, se possível tentava ir junto. Os atrativos na Chapada Diamantina são distantes, assim, é sempre melhor tentar ir com mais gente para baratear um pouco o passeio.

 

Morro do Pai Inácio, atração imperdível! | Foto Juliana Santos

Morro do Pai Inácio, atração imperdível! | Foto Juliana Santos

 

Essa é uma forma de ajudar os hostels, conhecer lugares novos, e fazer laços que podem durar a vida toda. Sem contar toda a vivência, que possibilita aprender de dentro pra fora, de acordo com as diferenças culturais, com os traços gastronômicos, tradições e, principalmente, com as pessoas. Acredito que esse choque de cultura e realidade abre a nossa mente.

 

E você, tem vontade ou já teve a oportunidade de fazer algo assim?