A radiante Isla del Sol

Entardecer na Isla del Sol | Foto por Renata Ferri

Entardecer na Isla del Sol | Foto por Renata Ferri

 

Por Renata Ferri*

 

Um dos destinos indispensáveis para os mochileiros e aventureiros que passam pela Bolívia, vindos de todos os cantos do mundo, a Isla del Sol fica a alguns quilômetros de barco da cidade de Copacabana.

 

No meio do Lago Titicaca, quando já está começando a dar aquele enjoôzinho por causa do balanço da lancha, surge a ilha, de uma magia mitológica. Eu imagino que o local tenha recebido esse nome não porque é um destino ensolarado, mas porque tem um certo brilho, irradia um tipo de energia que encanta os visitantes desde o primeiro momento.

 

A viagem de barco de Copacabana até a Isla  del Sol dura cerca de 1h30  e custa 25 bolivianos (10 reais) | Foto por Renata Ferri

A viagem de barco de Copacabana até a Isla del Sol dura cerca de 1h30 e custa 25 bolivianos (10 reais) | Foto por Renata Ferri

 

Já aviso aos turistas que gostam de muito luxo e regalias que evitem esse passeio. Nada contra essa preferência, até porque eu, particularmente, gosto de alternar as noites mal dormidas em barracas frias ou camas estreitas de hostel, com noites envolvida em alvos lençóis de um largo leito de hotel.

 

Não digo que na Isla del Sol não existam hospedagens maravilhosamente confortáveis e dignas de Imperadores Incas, como o Palla Khasa, onde eu fiquei, mas o problema é chegar até lá com a sua bagagem, já que veículos automotores não existem nesse pacífico recanto.

 

Passeio pela parte sul da ilha: o caminho até a pousada | Foto por Renata Ferri

Passeio pela parte sul da ilha: o caminho até a pousada | Foto por Renata Ferri

 

Quem decide descer na parte sul da ilha, já dá de cara com as majestosas e infindáveis Escadarias Inca. Cada degrau é um desafio para aqueles que ainda não estão acostumados com o ar rarefeito dos 3.800 metros de altitude encontrados por lá.Mas não é motivo para desânimo, pois, a cada paradinha para respirar, é possível observar a vista incrível que fica cada vez mais bela a cada esforço  acima.

 

As famosas escadarias Incas | Foto por Renata Ferri

As famosas escadarias Incas | Foto por Renata Ferri

 

Para chegar até a nossa pousada, de acordo com informantes locais, seria necessário, pelo menos, uma hora de caminhada por uma trilha. Uma chola (típicas senhoras bolivianas que usam aquelas vestimentas étnicas) ficou encarregada de colocar os nossos mochilões no lombo de um asno, tomar um caminho alternativo (mais longe, pois o asno não podia subir as escadas) e nos encontrar lá no nosso hotel.

 

Deu aquela vontade de desconfiar de algo, mas isso passou logo, em vista de que, se tivéssemos que carregar nossa própria bagagem o percurso provavelmente se tornaria infinitamente penoso para as nossas costas. A cholita nos mostrou em um mapa, o caminho que deveríamos tomar. A caminhada foi cansativa, porém agradável e ótima para ter um feeling do quanto aquele lugar era sensacional. Não é à toa que a lenda diz que foi ali o berço da civilização Inca.

 

Uma típica chola, com suas vestimentas típicas. Elas se  vestem assim sempre, não é uma artimanha para impressionar  turistas | Foto por Renata Ferri

As cholas se vestem assim sempre, não é uma artimanha para impressionar turistas | Foto por Renata Ferri

 

Ao final do dia, o melhor: o pôr do sol, que pôde ser admirado de um aconchegante terraço, sob uma manta e com uma caneca de chocolate quente na mão. Aliás, não deixem de levar roupas de frio, pois, mesmo no verão, as temperaturas caem bastante por causa da altitude.

 

A única coisa de que posso me arrepender na Isla del Sol, foi o fato de ter ficado apenas uma noite. No dia seguinte, após o café da manhã, encaramos a caminhada até a parte norte da ilha, onde a chola nos encontraria com as bagagens e tomaríamos o barco de volta para o continente.

 

Uma das incríveis paisagens da trilha que vai da parte sul até a parte norte | Foto por Renata Ferri

Uma das incríveis paisagens da trilha que vai da parte sul até a parte norte | Foto por Renata Ferri

 

A parte norte é mais agitada, tem mais gente, mais opções de lugares para comer e se hospedar e onde ficam a maior parte das ruínas incas. Porém, a parte sul é imbatível quanto às belezas naturais. Vale à pena conhecer as duas.

 

A trilha é imperdível e passa por inúmeras ruínas muito bem preservadas da civilização inca, assim como ângulos belíssimos de um encontro entre céu, água e terra que você nunca viu e jamais verá em qualquer outro lugar.

 

Foram cinco horas de caminhada e a chuva gelada que começou do meio do caminho e nos acompanhou até o final não conseguiu atrapalhar a alegria de estar ali. Ao chegar na “praia” da parte norte, o sol já estava de volta, intenso, servindo para secar nossas roupas antes de voltarmos para a realidade.

 

Trilha com chuva | Foto por Renata Ferri

Trilha de 5h com chuva e sol | Foto por Renata Ferri

Serviço

O hotel Palla Khasa é um lugar magnífico, com a melhor vista na parte sul da Ilha. O quatro de casal, que tem uma construção arredondada e banheiro privado custou 47 dólares e valeu cada centavo. O café da manhã é incluído e muito saboroso.

 

O transporte das bagagens até a pousada também é incluso, mas na hora de ir embora você deve providenciar o próprio transporte. Para quem quiser entrar em contato, o e-mail é pallakhasalodge@gmail.com.

 

* colaboração de Alex Sugamosto