Porque você deve ir à Córsega

Por Michelle Torres

 

Ajaccio, capital da Córsega

Ajaccio, capital da Córsega | Foto por Michelle Torres

 

A forma como é conhecida entre os franceses, “Corse, l’île de beauté”, ou no bom português, ilha da beleza, já nos dá uma ideia do que esperar desse pedaço de terra encravado no Mediterrâneo. Localizada ao sul da Côte d’Azur e ao norte da ilha italiana da Sardenha, a Córsega emerge como uma enorme cadeia de montanhas rica em florestas e praias paradisíacas.

 

Após séculos de subordinação à Itália e algumas décadas de independência, desde 1768 é uma das regiões administrativas da França. Um ano depois, a capital Ajaccio foi berço de uma das figuras mais controvertidas da história, Napoleão Bonaparte. A língua oficial é o francês, porém grande parte da população também se comunica usando o corso, que se assemelha ao dialeto toscano. Nada disso é um problema para quem fala inglês, pois a Córsega tem a economia fortemente baseada no turismo e está preparada para receber o viajante.

 

Mas dentre tantos destinos incríveis, por que escolher a Córsega?

 

Esportes

Córsega tem uma forte predisposição à prática esportiva em terra, como ciclismo e escalada, na neve, como esqui e raquetes (nas montanhas no inverno), e na água, como canyoning, caiaque, mergulho, snorkel, kitesurf, windsurf, vela – ou seja, quase tudo, menos o surfe, que não encontra na ilha um local muito propício, devido às águas tranquilas do Mediterrâneo.

 

Passeios de barco

 

Velejando na baía de Ajaccio | Foto por Myrabella via Wikimedia Commons

Velejando na baía de Ajaccio | Foto por Myrabella via Wikimedia Commons

 

São muito divertidos e podem durar até um dia inteiro, com uma paradinha para almoço em uma praia de água azul-turquesa. Os passeios são longos porque, além de percorrer distâncias grandes, têm muitas paradinhas para mostrar aos turistas todos os detalhes da costa. Dentre os destinos mais legais estão as falésias de Bonifacio, a Reserva Natural de Scandola (Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco) e as Ilhas Sanguinárias.

 

Randonnées

 

Randonneurs, um dos principais motivos para visitar a ilha

Randonneurs, um dos principais motivos para visitar a ilha | Foto por Michelle Torres

 

É, definitivamente, uma das atrações mais famosas – pode durar de algumas horas até semanas. A mais famosa é a GR-20® (Grand Randonnée 20), que cruza a ilha de norte a sul em cerca de 15 dias; mas também são famosas a Mare a Mare® e a Mare e Monti®. Em geral, a hospedagem é nos gîtes d’étape, pousadas com dormitórios coletivos, mas algumas vilas possuem hotéis. Existem diversas outras trilhas se você não for um super atleta.

 

Não descarte logo de cara essa atividade da sua lista, porque com certeza você vai encontrar uma fórmula adaptável a todas as suas necessidades de conforto e restrições de tempo e de preparo físico. Mas é aconselhável procurar uma agência de viagens que oferece programas, a preços variáveis (média de € 700), que incluem guia, alimentação, hospedagem, seguro viagem especial e até o transporte de bagagens. Aí você pode fazer as trilhas sem se preocupar em carregar um peso imenso nas costas.

 

Passeios em família

Quase sempre há versões mais light dos passeios citados aqui, buscando incluir crianças e idosos. Há, também, diversos passeios rurais, como andar a cavalo e pônei, além de feirinhas e restaurantes.

 

Gastronomia

Os sucessivos períodos de subordinação a outros países gerou um grande desejo de independência no povo da Córsega, que se reflete grandemente na valorização da cultura local. Além disso, por ser o ilhéu um povo peculiarmente passional, as refeições são uma verdadeira viagem histórica para os turistas, reverenciando sempre os produtos locais.

 

Dentre as bebidas típicas, podemos citar aperitivos (Cap Corse, Dami, Mannarini), cervejas (Pietra, Serena, Colomba), vinhos, licores e até mesmo águas minerais (Saint-Georges, Zilia). Além da famosa charcuterie francesa (salames, linguiças, salsichas), queijos e frutos do mar, muitos produtos típicos são produzidos a partir da fruta da árvore châtaignier – desde sobremesas até farinhas e bebidas.

 

Dicas Úteis

 

Como chegar

É possível chegar à Córsega de barco ou avião. Os barcos saem de várias cidades, principalmente da França (Marselha, Nice e Toulon) e da Itália (Gênova, Livorno, Savona, Nápoles ou Sardenha), tendo como destino portos em Bastia, Porto-Vecchio, L’Île-Rousse, Calvi, Ajaccio e Propriano. Os NGV (navio à grande velocidade) são uma opção mais rápida: levam menos de 3 horas, porém são mais caros que os outros ferries que levam em média 11 horas a depender do trajeto.

 

Os voos, para quem não tem tempo a perder, saem de diversas cidades europeias, podendo pousar em Ajaccio, Calvi, Bastia e Figari. As principais companhias aéreas que oferecem passagens para a Córsega são a Air France e a Air Corsica, mas há também as companhias low cost EasyJet, XLAirways e Ryanair.

 

Transporte interno

Na ilha é possível pegar ônibus, trem ou alugar carro. Em relação ao transporte intramunicipal, consulte os websites das cidades; eles costumam ter informações detalhadas de horários e itinerários dos ônibus.

 

Hospedagem

Pelo local fazer parte da zona do euro e ser um dos destinos preferidos dos europeus no verão, as diárias dos hotéis podem ser meio salgadinhas para os brasileiros, e hostels não são muito comuns por lá. Além do couchsurfing, airbnb e campings, há outra ótima opção que são os chambres d’hôte, quarto de uma residência alugado por ilhéus por valores bem razoáveis, que dependem da infraestrutura, e que oferecem privacidade e conforto. Por segurança, procure os chambres d’hôte em websites oficiais.

 

Informações importantes

  • De novembro a março muitos hotéis e restaurantes estão fechados;
  • O mar é mais quente em agosto e setembro, e a temperatura é mais amena e melhor para os randonneurs em maio, junho e setembro;
  • É bom estimar um gasto médio de 100 euros por dia, considerando escolhas nem econômicas nem luxuosas.

 

Pôr do sol em Ota, Córsega | Foto por Myrabella via Wikimedia Commons

Pôr do sol em Ota, Córsega | Foto por Myrabella via Wikimedia Commons

 

Enfim, a Córsega é incrível porque é uma ilha de contrastes, as trilhas atravessam paisagens das mais diversas possíveis e há vilas onde é possível degustar as iguarias locais. Nas trilhas da ilha, O Viajante vai entender o verdadeiro sentido da expressão “valer a pena”, porque as paisagens compensam todo o esforço. Para quem quiser ter uma ideia da aventura, uma dica é a comédia “Les randonneurs”, de 1997, que não é exatamente um ótimo filme, mas com certeza dá motivo para boas risadas.



Michelle Torres

Michelle Torres, tem como objetivo inspirar pessoas a viver a vida dos seus sonhos. Explorar é preciso e o lugar que mais ama é o Hawaii. Atualmente estuda na Austrália e mantém o lifestyle blog Anuenue Wanderers, pensado especialmente em island girls.

  1. Thaminne

    Adoreei! Só falta guardar dinheiro poder participar dessa aventura :p
    Estou curiosa para ler mais dicas suas!!

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  2. GRAZIELE

    Ir de paris para o sul da córsega, passar dois dias (praia de bonifácio – ilhas lavezzi), atravessar de barco para o norte da sardenha, ficar dois dias também (praia de santa terezza de gallura – spiaggia del principe – passeio barco arquipélago la madallena) e voltar (no caso, indo pra Bélgica), é loucura?? Pergunto porque tenho 4/5 dias livres na minha viagem (13/9 a 17/9/2015) e queria conhecer a costa esmeralda, justamente sul da córsega e norte da sardenha, certo? poucas praias, só conhecer e descansar. Vale a pena?? é será muito esforço, muita correria? Posso voltar do aeroporto de Figari (Córsega) ou de Olbia (Sardenha), depende do local em que estarei por último (vi que esses são os aeroportos no sul da Córsega e norte da Sardenha). Agradeço muito se puderem me ajudar!!!!!! Outra ideia seria ir de barco de Nice para Porto Vechio, descer para SArdenha e depois voltar de barco para Nice…..

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