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30.04.2011

Os ares de Berlim

15 de Abril de 2011 a 19 de abril de 2011:

A Alemanha não é um país de comportamento frio como o estereótipo que chega até nós brasileiros. Estão longe disso. E também não é um país difícil de se comunicar. O alemão, apesar de ser um idioma mais difícil de aprender, reserva algumas palavras cotidianas que quando utilizadas por um estrangeiro deixa o nativo germânico bem mais feliz para se relacionar com o viajante. Um simples hallo (oi), danke (obrigado), bitte (de nada, por favor e com licença) e Auf Wiedersehen (até mais ver) fazem do estrangeiro um tanto mais bem vindo. Caso não saia nenhuma dessas palavras, o inglês é tranquilamente compreendido, principalmente pela população mais jovem.

Berlim é uma cidade diferente do que se vê no restante do território alemão. Com arquiteturas radicalmente antigas e modernas convivendo nos espaços da cidade, percebe-se a grande influência da divisão do muro, que mesmo após 20 anos, deixam Berlim dividida em seus aspectos estruturais e também culturais.

Andar pela cidade é fácil. Basta adquirir os passes diários ou periódicos e carimbá-los ao entrar em um bonde, ônibus ou metrô. As lojas não ficam abertas até muito tarde, desde departamentos de roupas até farmácias e mercados. Então, para garantir alguma bebida ou comida mais barata (a melhor escolha é um mercado) não se deve demorar muito. Alguns estabelecimentos fecham às 16h. Ah, lembre-se, as sacolas são pagas. Caso não as compre, tem de levar desajeitadamente as compras na mão.

 

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Berlim tem muitas atrações, especialmente históricas. Mas o interessante – e creio também ser uma mania de viajante/mochileiro querer fugir um pouco do convencional – é andar a esmo pelas ruas (Straßen) e avenidas (Allee). Ao caminhar conheci algumas galerias, campos de futebol e playgrounds construídos entre os blocos de apartamentos. Observar o trânsito, as pessoas (que adoram sair com seus cachorros para passear, inclusive nos meios de transporte público) e, claro, as edificações.

A parte mais turística de Berlim fica em seu centro, a começar pela Alexanderplatz, onde há o famoso Weltzeituhr (Relógio Mundial), a Fernsehturm (Torre de Televisão) em que se paga um ingresso barato e pode apreciar a vista de um ângulo muito alto. A praça é ainda um ponto bem diversificado, onde se encontram turistas de todos os países, bares, franquias de fast food, feirinhas e, como toda praça, há a população de rua. Os pedintes também são cosmopolitas. Bósnios, sérvios, romenos e albaneses falam até três línguas pra te pedirem um trocado. E se der 50 centavos de euros eles reclamam e te exigem ao menos dois euros. Se também não atender aos chamados alguns ficam seguindo e pedindo insistentemente até cansarem ou até receberem o trocado.

Pela Alexanderplatz, sigo rumo ao Portão de Brandenburgo. Mas antes, é impossível deixar de sentar na Neptunbrunnen (fonte de Netuno) e até mesmo no monumento de Marx e Engels, logo após a Berliner Dom (Catedral). Ao chegar à Unter den Linden (a rua mais charmosa de Berlim e que dá acesso ao Portão de Brandenburgo) passa-se pelo rio Spree e belos museus e centros acadêmicos. Na porta de alguns, vendedores de livros usados armam pequenas bancas com obras em alemão, inglês, francês, espanhol e italiano. Volumes não editados no Brasil são possíveis de acharmos nessas bancas.

Se sentir fome, nada melhor do que um döner em bancas esparramadas por todo o território alemão. Conhecido também como kebab, a iguaria turco/grega faz parte do cotidiano dos alemães. Por apenas 3 euros, é possível encontrar um döner/kebab e que pode fazer o efeito de uma refeição. É uma espécie de sanduíche, mas com um pão no formato de crepe. O recheio fica a escolha do freguês e é sempre composto de carne de carneiro (tradicional) ou de frango (que não achei tão gostosa, mas é normalmente 50 centavos de euros mais barata que a de carneiro) e com bastante verdura, legumes e molhos. Os tamanhos são bem padronizados, só variam o volume do recheio, que pode ser maior ou menor dependendo da boa vontade do dono da banca ou da simpatia do freguês. A pizza turca, também bastante vendida é uma espécie de döner/kebab enrolado em uma massa de pizza média. O legal é que fica um lanche fácil de comer enquanto caminha, pois como é enrolado num papel alumínio, ele não cai nem lambreca como um döner/kebab. Esses alimentos são uma boa alternativa aos fast foods, já que são feitos de carne tostada e legumes frescos. Outra opção são as pizzas, muito comuns na Alemanha e muito saborosas também. Sempre gostei bastante de margherita e ela é uma das mais baratas e custam no mínimo 4 euros em tamanho médio (para uma pessoa). Também é nutritivo e dá bastante sustância para caminhar por um longo período pela cidade. Para um mochileiro, döner/kebab e pizza combinam com o bolso. Baratos e benéficos à saúde.

Em frente ao Portão de Brandenburgo, uma das cenas que me entreteram bem. Uma roda de turistas na Pariser Platz, onde fica a edificação com a bela Quadriga (Estátua de Irene, deusa grega, sendo puxada por uma biga) no topo. Quando entrei na roda, com meus pedidos de licença (bitte!), vi um grupo de dançarinos de rua mesclando dança e teatro com um som de fundo. Cada música ditava a mudança na coreografia e na cena. No fim, eles estendem o chapéu para conseguir alguma gorjeta pelo talento.

 

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E bem ao lado, há os free tour, guias gratuitos em inglês e espanhol (à escolha do viajante) que te mostram a pé o centro histórico de Berlim. Em um passeio recheado de informações valiosas da história alemã, passamos pelo Memorial do Holocausto (espaço cheio de blocos de pedra que causam a sensação de desconforto; e não simulam propriamente os túmulos, como muitos pensam). Depois fui levado a um antigo prédio do Ministério da Aviação. Chegamos à Postdamer Platz, ao Memorial do Muro de Berlim e à Gedächtniskirche.

Os free tour existem em algumas cidades alemãs e são passeios excelentes para fazer amizades com o restante do grupo, já que antes de iniciar a jornada, é preciso esperar uma quantidade de pessoas que vão fazer o tour. Embora essa quantidade não seja específica, o tour sempre começa e termina no horário proposto nos panfletos de divulgação. É um passeio que precisa ir preparado com garrafa de água, protetor solar e, se possível, uma barra de cereal ou bolacha, já que só há uma parada para lanche ou almoço e não pode atrasar o andamento do grupo. As perguntas também só podem ser feitas após a explicação do guia. Vale destacar que os guias têm permissão legal para o trabalho e são identificados com um crachá. Ao final do passeio, cada pessoa dá uma gorjeta de acordo com o que achou do tour. E o guia recebe o dinheiro sem olhar pra mão, assim ele não fica sabendo se você deu 10 centavos ou 20 euros. A gorjeta vai da intenção e da satisfação de cada um. Acho que pelo menos 5 euros é um valor justo.

 

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Berlim não acontece somente na Alexanderplatz e Unter den Linden. Há muitos outros lugares que merecem uma visita. Principalmente a vida noturna em prédios com características de abandono. Música eletrônica e rock podem ser encontrados nesses prédios que oferecem nos andares vazios e frios uma diversão bem fora de roteiro. Para achar isso, basta andar e desbravar. Berlim é uma cidade segura, barata, receptiva e extremamente liberal (percebemos pelas roupas, cores de cabelo, piercings, tatuagens e pensamentos dos berlinenses).

 

Filipe Alves

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