Bósnia: potencial a ser descoberto

Por Sabrina Sasaki

 

Escondida no mapa e esquecida no tempo, a Bósnia encanta e vale a viagem. É um destino menos óbvio, é claro, pois ainda é pouco divulgado, o que garante lugares intocados, preços justos e uma boa viagem no tempo. Com seu potencial turístico inquestionável, qualquer viajante que estiver entre Croácia e Grécia não pode deixar de aproveitar esse destino espetacular.

 

A ponte Stari Most, em Mostar, nos dias de verão, é ponto de saltos livres e; à noite, encontro da boemia.  |  Foto de Sabrina Sasaki

A ponte Stari Most, em Mostar, nos dias de verão, é ponto de saltos livres e, à noite, encontro da boemia. | Foto por Sabrina Sasaki

 

07 motivos para conhecer a Bósnia

01. Hospitalidade: Como parte dos países que formavam a Iugoslávia, a independência trouxe esperança de novos tempos, e o turismo é uma grande aposta da população tradicionalmente simpática.

 

02. Natureza: A paisagem de vales e campos, com uma rica biodiversidade local, impressiona os visitantes.  É possível viajar horas sem avistar grandes áreas urbanas.

 

Campos de flores que sobrevivem ao quente verão | Foto por Fabian Julius

Campos de flores que sobrevivem ao quente verão | Foto por Fabian Julius

 

03. Histórica e cosmopolita: A capital Sarajevo tem sido um ponto de encontro de pessoas, mercadorias e culturas há mais de cinco séculos. Preserva sua arquitetura desde o período em que fazia parte das rotas de comércio entre Oriente e Ocidente. Durante o mês de agosto, a cidade vira o palco do Festival de Filme de Sarajevo, conceituado internacionalmente entre entusiastas e críticos de cinema.

 

04. Caldeirão religioso: Um mix com parte da população cristã, (35% entre Igreja Ortodoxa Sérvia e Católica), além da maioria muçulmana (60%).  Igrejas, mesquitas e sinagogas dividem o mesmo espaço central da cidade, em convivência pacífica.

 

A mesquita Gazi Husrev-bey (1531), considerada a primeira do mundo a ter eletricidade(desde 1898), ainda hoje mantém suas tradições | Foto de Sabrina Sasaki

A mesquita Gazi Husrev-bey (1531), considerada a primeira do mundo a ter eletricidade (desde 1898) | Foto por Sabrina Sasaki

 

05. Preço: Custo de vida barato. Nos mercados e shoppings se encontra de tudo um pouco. Na dúvida, compre tudo por lá, pois a experiência vale a pena.

 

06. Compras: Nos mercados centrais de Sarajevo e Mostar, existe a tradição de comércio familiar, onde a pechincha faz parte do dia-a-dia, em contraponto aos demais novos estabelecimentos e shoppings que dão um toque mais moderno às cidades. Imperdível: feira livre de Mostar, uma barganha, onde se encontra de fumo e chás a hortifrutigranjeiros (semelhante às feiras de rua do nordeste brasileiro.)

 

Restaurantes da área central da capital. Ao contrário de outros destinos europeus, aqui não se paga mais pelo consumo nas mesas externas| Foto por Sabrina Sasaki

Restaurantes da área central da capital, onde, ao contrário de outros destinos europeus, não se paga a mais pelo consumo nas mesas externas | Foto por Sabrina Sasaki

 

07. Culinária especial: A mistura de influências garante variedade e sabores distintos. Porções fartas sempre acompanhadas de pão caseiro, comuns na região dos Bálcãs. Gosta de carnes? Então aproveite. Os cevapis (kebab), pjeskavicas (hambúrguer típico) e bureks (folhados de queijo, espinafre ou carne) custam a partir de €2. Vegetariano? Queijos sempre em abundância, sobretudo nas saladas de tomate, pepino e muita páprica (pimentão). Café expresso: €1; refeições de €3 a €5.

 

No bar central Cheers (Muvekita 4, em Sarajevo), o café da manhã completo, com ovos mexidos, pão feito na hora, expresso e suco de laranja natural sai por €3. Pizza no centro da cidade por €4. Nos pubs, drinks a partir de €2. Experimente o prato típico: cevapi, o kebab bósnio – carne de cordeiro grelhada, servida com cebola, creme de leite, ajvar (condimento de pimentões e alho) e somun, o pão pita bósnio.

 

Os restaurantes de Bascarsija, área central da cidade,  oferecem além de uma vista privilegiada, porções fartas, baratas  e saborosas| Foto por Sabrina Sasaki

Os restaurantes de Baščaršija, área central de Sarajevo, oferecem porções fartas, baratas e saborosas| Foto por Sabrina Sasaki

 

O que visitar em Sarajevo

Baščaršija: Do turco ‘mercado principal’, essa é uma das áreas mais preservadas da cidade. Tradicional região comercial, data do século 15 e abriga construções históricas.  Destaque para o ‘Mercado Coberto’ (1542), com tendas de roupas e joias, e a rua especializada em artesanato de cobre feito a mão.

 

Baščaršija, mercado principal de Sarajevo, onde é possível encontrar artesanatos tradicionais | Foto por Sabrina Sasaki

Baščaršija, mercado principal de Sarajevo, onde é possível encontrar artesanatos tradicionais | Foto por Sabrina Sasaki

 

Bijela Tabija: Localizada no alto de uma colina, abriga ruínas do forte medieval de 1550. Do centro da cidade, a caminhada leva 40 minutos e passa por ladeiras, vielas e cemitérios. Do topo, a vista panorâmica compensa o esforço e dá uma dimensão do tamanho da capital.

 

Catedral Sagrado Coração de Jesus: Templo católico do período austro-húngaro, data de 1889.

 

Catedral do Sagrado Coração de Jesus, localizada no calçadão do centro histórico. | Foto por Sabrina Sasaki

Catedral do Sagrado Coração de Jesus, localizada no calçadão do centro histórico. | Foto por Sabrina Sasaki

 

Chama Eterna: Monumento em homenagem aos homens que libertaram a cidade do Fascismo, durante a Segunda Guerra Mundial. Acesa desde 1945, a chama só foi apagada durante os anos da Guerra da Bósnia, devido à escassez de combustível.

 

Monumento em homenagem à libertação do Fascismo | Foto por  Sabrina Sasaki

Monumento em homenagem à libertação do Fascismo | Foto por Sabrina Sasaki

 

Museu de História: Com foco na Guerra da Bósnia e no período de conflitos na ex-Iugoslávia, a exposição abriga imagens impactantes, objetos e reconstrução de ambientes da época.

 

Ponte Latina: Construída sobre o rio Miljacka, no final do século 18, é um dos símbolos de Sarajevo e fica em frente ao Museu Sarajevo 1878 – 1918. Local do atentado ao arquiduque Franz Ferdinand.

 

Museu Sarajevo 1878 – 1918: Na esquina onde Franz Ferdinand foi assassinado, o pequeno museu resgata a influência do Império Austro-Húngaro na região, bem como os bastidores dos fatos que deram início à Primeira Guerra. O espaço abriga objetos, roupas e relatos da época.

 

Interessante notar que, na visão local, Gavrilo Princip, o homem que matou o arquiduque, é considerado herói. Por aqui, existem ruas e monumentos em sua homenagem. Acervo em alemão ou sérvio-croata, por isso o aluguel de fones para tradução é imprescindível.

 

Esquina do Museu Sarajevo 1878 – 1918, em frente à Ponte Latina|  Foto por Sabrina Sasaki

Esquina do Museu Sarajevo 1878 – 1918, em frente à Ponte Latina| Foto por Sabrina Sasaki

 

Sinagoga Antiga (1581): Construída por judeus perseguidos durante a Inquisição, na Idade Média. Durante a Segunda Guerra, funcionou também como prisão de judeus. O interior com arquitetura otomana e bósnia abriga um museu dedicado à cultura judaica.

 

Fachada da Sinagoga Antiga, bem próxima às mesquitas centrais | Foto por Sabrina Sasaki

Fachada da Sinagoga Antiga, bem próxima às mesquitas centrais | Foto por Sabrina Sasaki

 

Torre Avaz Twist Tower: edifício espelhado de 172 m de altura, próximo à estação ferroviária da cidade de Sarajevo – abriga um mirante no 35º andar aberto para visitantes.

 

Túnel da Esperança: Museu afastado do centro, no local do corredor subterrâneo de 720 m de extensão construído pela população durante os anos de cerco a Sarajevo, como uma ligação entre a cidade e o resto do país. Da antiga rota de fuga e passagem de mantimentos restam 25 m do túnel para visitação e um pequeno museu com objetos da época, como fardas militares e caixas de mantimentos.

 

Como chegar

De avião: Não existem voos diretos do Brasil para a Bósnia, mas várias companhias aéreas europeias ou locais voam até a capital Sarajevo.

 

De trem: O Europass possibilita  o trânsito de trem na Europa, mas não compensa para viagens aos Bálcãs, se for adquirido pensando apenas na região. Os bilhetes de trem locais costumam sair baratos, e a malha ferroviária não cobre toda a região. Muitas rotas são longas e demoradas, e compensam ser feitas de carro ou ônibus. Vale a pena comparar antes de fazer um investimento alto. Por exemplo, de Zagreb, na Croácia, até Sarajevo, custa €30 e leva em média 9h, com diversas paradas.

 

De carro: Qualquer duração de viagem na região do Bálcãs pode variar conforme as vistorias e/ou filas nas fronteiras das rodovias. Atrasos são comuns na região, por isso tenha em mente um intervalo seguro entre suas conexões. Os hostels locais costumam indicar vans, serviços door-to-door (porta a porta), sobretudo de Belgrado a Sarajevo.  A viagem dura em média 6h, e custa €25.

De ônibus: a viagem costuma ser  simples e barata, porém com diversas paradas entre pequenas cidades que ligam as capitais.
Via Croácia: de Split para Saravejo (€ 24), leva em média 7h; de Zagreb (capital) até Sarajevo €25, 8h.
Via Montenegro: de Podgorica (capital): até Sarajevo €20, 7h.
Via Sérvia: de Belgrado (capital) em média €20, 7h.

 

Como viajar dentro do país

De Sarajevo até as demais cidades do país, os ônibus levam poucas horas de viagem, por isso recomenda-se aos viajantes que fiquem hospedados na capital e conheçam as demais cidades em viagens diárias, a menos que queiram conhecer Mostar à noite. Se esse for seu caso, dê preferência ao trem de Sarajevo a Mostar, e hospede-se numa pousada ou pensão familiar.

 

Vista do vagão do trem, no trajeto de Sarajevo a Mostar, revela o encanto das vilas escondidas em meio aos vales | Foto por Sabrina Sasaki

Vista do vagão do trem, no trajeto de Sarajevo a Mostar, revela o encanto das vilas escondidas em meio aos vales | Foto por Sabrina Sasaki