5 programas para fazer em Belém

Hoje é dia de festa em Belém: a capital do Pará comemora 400 anos. Fundada em 12 de janeiro de 1616, com o objetivo de proteger a foz do rio Amazonas de possíveis invasores, a cidade teve seu auge entre os séculos 19 e 20, mediante a riqueza gerada pelo Ciclo da Borracha. Embora não figure na lista de destinos mais desejados dos brasileiros, Belém tem atrativos e pode se tornar uma surpresa para muita gente.

 

Confira aqui quatro sugestões de programas para fazer em Belém e um motivo especial para esticar sua viagem pelo interior do Pará:

 

1. Passear pelas diversas áreas revitalizadas

Estação das Docas | Foto por Flávio Jota de Paula (CC BY-NC-SA 2.0)

Estação das Docas | Foto por Flávio Jota de Paula (CC BY-NC-SA 2.0)

 

Desde meados dos anos 2000, o governo do Pará tem feitos altos investimentos na revitalização de antigos espaços da cidade. De todos, sem dúvida, o que mais se destaca é a Estação das Docas, uma espécie de Puerto Madero da Amazônia.

 

Às margens da Baía do Guajará, o antigo porto fluvial de Belém hoje é referência no Brasil como complexo turístico e cultural. O calçadão de 500m é ladeado por três armazéns que reúnem lojas de produtos de artesanato, bares, restaurantes e uma intensa agenda de apresentações de música, teatro e dança.

 

Outro local totalmente repaginado que merece uma visita é o Espaço São José Liberto. Construído no século 18, serviu como presídio durante mais de 100 anos. Restaurado, abriga hoje o Museu de Gemas do Pará, o Polo Joalheiro e a Casa do Artesão.

 

Também é possível conferir o Mangal das Garças, uma espécie de complexo cultural, jardim botânico e zoológico que reúne representações de diferentes macrorregiões florísticas do Pará e espécies de sua fauna.

 

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2. Explorar o Mercado Ver-o-Peso e a Feira do Açaí

Mercado Ver-o-Peso | Foto por Cayambe (CC BY-SA 3.0)

Mercado Ver-o-Peso | Foto por Cayambe (CC BY-SA 3.0)

 

Considerada a maior feira ao ar livre da América Latina, o Mercado Ver-o-Peso é passagem obrigatória para quem vem a Belém. Como todo grande mercado, oferece aquela mistura de sabores e cheiros variados: peixes, frutas, verduras, temperos, doces e artesanato. A diferença é que, aqui, se tem a chance de conhecer e experimentar uma variedade de alimentos que existem só na Amazônia.

 

Além do Mercado, também faz parte do complexo a Praça Siqueira Campos, mais conhecida como Praça do Relógio, e a Feira do Açaí. Nessa feira, os comerciantes negociam a compra e a venda dessa pequena fruta da qual o Pará é o maior produtor mundial. A movimentação acontece entre 1h e 5h da madrugada, por isso, tem que acordar muito cedo (ou nem dormir!) para acompanhar toda a ação. Vale saber que, no Pará, açaí é acompanhamento de peixe e farinha.

 

3. Contemplar o legado histórico

Theatro da Paz | Foto por Socorrosimonetti (CC BY-SA 4.0)

Theatro da Paz | Foto por Socorrosimonetti (CC BY-SA 4.0)

 

Entre o final do século 19 e o começo do século 20, a extração de látex e a comercialização da borracha marcaram profundamente o desenvolvimento do norte do Brasil. Em Belém, nenhuma outra construção simboliza tanto esse período quanto o Theatro da Paz, fundado em 1878 com o intuito de sediar espetáculos líricos. Atualmente, é um dos teatros de melhor acústica do Brasil e o maior da região Norte.

 

Outros marcos arquitetônicos de grande importância são o Palácio Antônio Lemos, sede parcial da prefeitura e do Museu de Arte de Belém, e o Palácio Lauro Sodré, construído no século 18 por ordem de Marquês do Pombal – a pretensão era transferir a corte portuguesa para cá –, e atual sede do Museu do Estado do Pará.

 

4. Prestigiar o Círio de Nazaré

Berlinda que carrega a imagem da Nossa Senhora de Nazaré | Foto por Daniel Pereira

Berlinda que carrega a imagem da Nossa Senhora de Nazaré | Foto por Daniel Pereira

 

Historicamente, é no segundo domingo de outubro que boa parte das atenções do país se voltam para Belém. É nesse dia que acontece a maior procissão católica do Brasil, o Círio de Nazaré. O cortejo à santa acontece no domingo de manhã – começa na Catedral Metropolitana de Belém e termina na Basílica de Nazaré.

 

Mas a festa em homenagem à Padroeira do Pará inicia uns dias antes, o que envolve o deslocamento da imagem da santa entre vários pontos de Belém e da região durante a sexta e o sábado – “pequenas amostras” do Círio. Embora não faça parte do calendário oficial do evento, os mais profanos podem achar mais divertido acompanhar a Festa da Chiquita, uma série de shows de drag queens e transformistas que acontece na noite do sábado, em frente ao Theatro da Paz.

 

Se não vier a Belém em outubro, uma visita à Basílica de Nazaré é sempre bem-vinda, nem que seja para compreender um pouco da devoção dos paraenses pela santa. De qualquer forma, quem não for lá muito devoto pode achar a movimentação interessante ou no mínimo curiosa, afinal, essa é, sem dúvida, a data mais importante na agenda do Pará.

 

5. Visitar Alter do Chão e Ilha do Marajó

Alter do Chão | Foto por idobi (CC-BY-SA 3.0)

Alter do Chão | Foto por idobi (CC-BY-SA 3.0)

 

Convenhamos, se você é do Sul ou do Sudeste do Brasil, não veio até o Pará apenas para conhecer Belém. O ideal é combinar uma visita ao estado com pelo menos outros dois importantes destinos paraenses: Alter do Chão e Ilha do Marajó.

 

Alter do Chão, a 35km de Santarém e 1.359km de Belém, é uma pequena vila de pescadores às margens do Rio Tapajós. O que a diferencia de tantas outras praias de rio é o tom clarinho de suas águas, o que justifica seu apelido: Caribe Amazônico. As praias aparecem somente durante o período de seca do rio, entre agosto e fevereiro; quem vem durante o período da cheia pode aproveitar para passear de barco e explorar parte da floresta amazônica.

 

A Ilha do Marajó, a maior ilha fluviomarinha do mundo, é banhada pelo Oceano Atlântico e pelos rios Amazonas e Tocantins e está a apenas 2h ou 3h de barco de Belém. Além das praias, as atividades por aqui envolvem bastante contato com a natureza – normalmente trilhas e observação de animais. Uma visita à ilha, em algum momento, certamente incluirá os búfalos, principal símbolo do Marajó. Por aqui, esses animais servem tanto como meio de transporte quanto de alimento.